Chegou 2026 e, com ele, a visibilidade trans!
Que tipo de visibilidade trans estamos construindo no Brasil? O Dia da Visibilidade Trans, celebrado no Brasil em 29 de janeiro, marca uma data nacional de reconhecimento, enquanto o Dia Internacional da Visibilidade Trans é comemorado em 31 de março. O nosso dia nacional marca a data em que pessoas trans e travestis ocuparam Congresso Nacional, em Brasília, naquela que viria a ser uma das primeiras manifestações públicas da importância de colocar pessoas trans no centro das decisões políticas - não apenas no centro geográfico, se tomarmos a capital federal como esse lugar, mas no centro político de reivindicação de direitos e publicização de demandas.
Em 29 de janeiro de 2004, ativistas travestis e transexuais lançaram a campanha “Travesti e Respeito: já está na hora de os dois serem vistos juntos”, desenvolvida em parceria com o Ministério da Saúde. Tratou-se de uma das primeiras campanhas contra a transfobia no país, e a iniciativa teve como foco o enfrentamento à discriminação e a ampliação do acesso da população trans aos serviços de saúde, além da divulgação de informações sobre a prevenção de infecções sexualmente transmissíveis. A ocasião ficou marcada como Dia Nacional da Visibilidade Trans.
Com esse marco, o mês de janeiro destaca a importância da visibilidade e da representatividade, além da luta pelo acesso à saúde, à educação, à geração de emprego, renda e demais direitos, além do enfrentamento ao preconceito e à discriminação contra pessoas trans.
E o que mudou nessas mais de duas décadas desde que a data da visibilidade foi estabelecida?
22 anos depois, a capital federal acaba de ser palco da Semana Nacional da Visibilidade Trans, que reuniu uma série de programações em torno do fortalecimento do movimento e das pautas da população trans, como o Fórum Nacional de Transmasculinidades Negras e Periféricas e o Seminário Ativismos e Famílias em Defesa das Juventudes Trans. Além disso, mesmo sob forte chuva, aconteceu a 3a Marsha Trans BR, ou Marsha Nacional pela Visibilidade Trans, sob o lema “Brasil soberano é país sem transfobia”. A Marsha, cuja grafia é uma homenagem a Marsha P. Johnson, ativista trans que teve um papel importante na Revolta de Stonewall, nos Estados Unidos, reuniu milhares de pessoas trans no Planalto Central para reafirmar que a política no Brasil, especialmente em ano eleitoral, não será feita às custas dos direitos e vidas de pessoas trans.

Segundo o dossiê da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), lançado durante a Semana da Visibilidade, ao menos 80 pessoas trans e travestis foram assassinadas em 2025. O número é 34,4% menor que o de 2024, em que foram contabilizados 122 assassinatos.
Esses resultados mantêm o Brasil como o país mais perigoso para pessoas trans pelo 17º ano consecutivo, mas também aponta a subnotificação de outros tipos de crime, como as tentativas de assassinato, que aumentaram para 75 em 2025 em relação aos 57 casos de 2024. A queda no número de homicídios e o aumento no número de tentativas de assassinato corroboram um cenário complexo de violação das vidas e corpos trans.
Ainda, o Dossiê retoma um tema caro para o movimento trans no último período, que é a urgência na publicação Programa de Atenção à Saúde da População Trans (PAESPopTrans) no Sistema Único de Saúde, que segue travado desde seu anúncio, em 2024, e que se trata de uma ação fundamental na garantia do acesso à saúde adequada por parte das pessoas trans.
O levantamento é produzido anualmente a partir do monitoramento de notícias, denúncias e registros públicos. A subnotificação e a falta de dados oficiais ocultam um cenário que pode ser ainda mais grave.
Durante a semana em Brasília, houve, também, o lançamento do projeto Transmasculinidades no Poder, que busca dialogar e fomentar a presença das transmasculinidades na política brasileira, fortalecendo candidaturas transmasculinas nas próximas eleições.
Para preparar esse texto sobre visibilidade trans, foi necessário confirmar algumas datas e informações através do buscador da Google. A pergunta sobre “Dia Internacional sobre Visibilidade Trans” levou à resposta sobre a data e também ao seguinte cenário:

Embora as violações de direitos, as violências, os estigmas e as invisibilidades ainda pautem a agenda da visibilidade trans no Brasil nas mais diferentes esferas, é importante refletir que, especialmente em ano eleitoral, os direitos das pessoas trans, em toda a sua diversidade composicional, devem ser defendidos continuamente.
Inclusive o direito de celebrar!
E, além de uma Marsha Trans BR cheia de reivindicações, mas também construída em torno da celebração e dos encontros, queremos compartilhar com vocês, que nos leem por aqui, dois eventos especiais em São Paulo:
A SP Escola de Teatro, em São Paulo, sediará o primeiro festival de teatro trans e travesti do Brasil, o FestivaTrans, que ocorrerá até o dia 31 de janeiro. E o Centro Cultural São Paulo será palco do Transluciday – Festival Transcentrado durante o dia de hoje (29).
Visibilidade trans é todo dia!

