maio 2026
Instituto Matizes

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Nota de Repúdio ao PL nº 50/2025: direito à cidade é um direito LGBTI+.

Se o mote da Parada LGBT+ de São Paulo de 2026 é "A rua convoca e a urna confirma", é porque já sabíamos que se tratava de um impasse. 

A Câmara Municipal de São Paulo aprovou, em primeira votação, o PL nº 50/2025, que veta a presença de crianças e adolescentes não apenas na Parada de São Paulo, mas em quaisquer eventos voltados para a população LGBTI+. Além disso, o PL criminaliza a realização de eventos LGBTI+ em espaços públicos, tornando realizadores passíveis de multas que chegam a um milhão de reais em caso de descumprimento.

Nossos direitos seguem sendo, cada vez mais, utilizados como moeda de troca, enquanto plataformas digitais seguem impulsionando um pânico moral por parte de um conservadorismo cada vez mais especializado em criar narrativas que são violentas e mentirosas contra pessoas LGBTI+ e, ainda assim, convincentes para parcelas expressivas da sociedade.

Como efeito disso, a 30ª Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo, marcada para 7 de junho de 2026 na Avenida Paulista, enfrenta uma crise de financiamento com uma queda de 60% nos patrocínios privados, o menor nível desde 2018. 

Trata-se de uma das maiores paradas LGBTI+ do mundo e não podemos nos resignar diante disso. A rua convoca e a própria rua confirma: pessoas LGBTI+ têm todo o direito de ocupar espaços públicos, como quaisquer outras pessoas. Historicamente, pessoas LGBTI+ têm moldado e ocupado cidades, inclusive o município de São Paulo: o Largo do Arouche, os vários bares gays na Bento Freitas, o surgimento e consolidação de bares LBT na Barra Funda, são alguns dos exemplos. 

Para além do direito à cidade, crianças e adolescentes precisam ter acesso à diversidade para se formarem de maneira cidadã e integral. 

Embora o PL seja considerado inconstitucional por especialistas, todo o cenário demonstra como é urgente tentarmos refletir nas urnas aquilo que as ruas já contam sobre a nossa história como comunidade: somos muitas, muites e muitos. Se estamos representados nos parlamentos, por aliades e representantes LGBTI+ empenhados na defesa da nossa população, mais chances teremos de ter nossos direitos serem efetivados. 

É importante irmos para as ruas celebrar, sim! E devemos nos celebrar, mas devemos, sobretudo, pensar como essa presença nas ruas é um reflexo do puro exercício de nossa cidadania. Cidadania que deve ser garantida nas ruas, mas também nos parlamentos. Essa é uma estratégia urgente para derrubar essas tentativas de nos desmobilizar e, ainda, para que a gente consiga fazer um enfrentamento no nível das adversidades.

Vida longa às Paradas LGBTI+ de todo o país!